domingo, 22 de julho de 2012

Projetos


Projeto Psicoterapêutico para Atendimento em Setores Essenciais Sociais.

Gilberto JS Pinheiro

Psicanalista Didata

 Julho

2012


1.INTRODUÇÃO

Apesar da demanda existente, trabalhar suas próprias questões através de sessões de psicanálise ainda é privilégio para poucos. As ciências de atendimento e estudos das questões psíquicas, não conseguem atender eficientemente a demanda  populacional que se avolumam nos centros de atendimento ou engrossam as filas nos setores apropriados  e  quase sempre não encontrando receptividade para sanar as dores que a muito se lhe faz presente nalma e ativada.  Preocupado com esta necessidade, desenvolvi uma proposta  de atendimento clínico com base psicanalítica para as camadas sociais itegrantes dessa comunidade.  Entende-se por reabilitação psicossocial a possibilidade de reverter um processo desabilitador através do aumento da contratualidade social do indivíduo com o entorno de sua convivência. A assistência psicoemocional deverá ser prestada intensivamente a uma população adulta, jovens e crianças, grupos e casais com transtornos psicoemocionais ativos, causadores de importante grau de desabilitação, ou seja, limitação ou perda de capacidade operativa.


1.1       OBJETIVO GERAL

- Promover a manutenção dos usuários no melhor nível de funcionamento e máximas condições de autonomia possível, para cada caso, e visando a reintegração no seu grupo social.

- Integrar  famílias ao atendimento.
                                                  

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
:: Reduzir a Iatrogenia: diminuindo e eliminando sempre que possível as consequências físicas, psíquicas e comportamentais;
:: Promover a competência social e profissional;
:: Reduzir o estigma;
:: Proporcionar uma melhor qualidade de vida aos usuários do PROGRAMA;

:: Proporcionar aos usuários, sua busca interior baseado nos aspectos terapeuticos do relembrar, repetir e elaborar para a conquista do reequilíbrio psicosocioemocional;

:: Realizar atendimento norteado pela psicanálise proporcionando aos usuários uma melhor qualidade vivencial e relacional.


1.3 POPULAÇÃO-ALVO

 :: Pacientes analisáveis, portadores de transtorno psicoemocional de larga escala;

:: Necessitados dos  serviços de saúde psicosocioemocional  ou pessoas atendidas nos programas sociais:

         * Centros de Referência da Assistência Social - CRAS,

         * Centros de Referência Especializados de Assistência Social – CREAS,

* CONSELHO TUTELAR, convênio ou parceria com consultório particular, já em processo de instação.

* Famílias dos usuários e portadores de dependência química (Grupo terapia)


1.4 RECURSOS HUMANOS
A equipe multidisplinar constitui-se de:
Psicanalista

Recepcionista;
Médico psiquiatra, médico clínico;

Enfermeiro(a)

Técnicos de enfermagem e profissionais de saúde

Outros profissionais que a depender do avanço do projeto podem se alocados na prestação de serviços.

2. METODOLOGIA

Os pacientes serão triados pela equipe de saude local: de enfermagem ou técnicos de enfermagem e encaminhados para acompanhamento psicoemocional com o psicanalista, e outros profissionais de saude se necessário. Será utilizado o  serviço social com acompanhamento necessário ao paciente e outros profissionais de saude, a exemplo de  enfermeiros, médicos.

NOTA. Caso a instituição pública(Prefeitura/Sec. De Saúde), já possua equipe citada, faz-se a alocação ao programa contido nesta proposta de atendimento.

2.1 Núcleo Terapêutico


1)   O psicanalista deve atender grupos de Familiares  e ou usuários dos programas citados buscando promover aspectos mais integrados da personalidade; promover contato interpessoal a fim de favorecer suporte e socialização; desenvolver teste de realidade, através da discussão dos sintomas e compreensão do transtorno psicoemocional; permitir a expressão de emoções com vista a reduzir ansiedade a atender as demandas geradas apesar da possibilidade da existência de comorbidade.





Plano I: O plano de atendimento nos primeiros 6 meses visa resgatar hábitos de socialização, auto-cuidado, conhecimento dos transtornos gerados, desenvolver habilidades cognitivas e restauro do equilíbrio psicoemocional, reduzir o potenciativo gerador de transtornos nos familiares e ou pessoas que passe por essa experiência. Após esse período de atendimento, todos os pacientes serão reavaliados com objetivo de definir a sequência de atendimento e sua habilidade readquirida. A partir deste momento serão definidos novos critérios para encaminhamento e atendimento se necessário.                                                                          
 Gilberto JS Pinheiro

 


   























O Desenvolvimento Psicossexual, segundo Freud:

Este tema requer, antes de qualquer coisa, rever a definição de:
Instinto = Num sentido Clássico, isto é, um Esquema de Comportamento Herdado, próprio de uma espécie animal, que pouco varia de um indivíduo para outro, obedece a uma seqüência temporal, é pouco suscetível de alteração e parece ter uma finalidade (Laplanche). O Instinto se origina em fenômenos orgânicos. Num sentido Moderno, esta definição varia um pouco, Bibrieg (1969), diz que é uma energia que desponta no estrato vital da mente e cuja direção é determinada por hereditariedade (situa na fronteira, entre a esfera mental e orgânica).

INSTINTOS são o de VIDA e o de MORTE, que se desdobram em Instintos de Fome e Sexo por um lado e, de Agressão e Auto-Agressão, por outro.

Ainda, visto por Freud (1915), os, Instintos do Ego, relacionados com o Impulso de Saber e as “necessidades instintivas de pensamento e consciência” (Aufreiter, 1960).
NÃO É CORRETO: Falarmos em Instintos Orais, Anais e Genitais.

ESTES SÃO OS IMPULSOS.
Impulso = ou Pulsão. É a tradução mais exata de Trieb. Pode ser definido como uma força impulsionante relativamente indeterminada, que nos induz à satisfação. Um Processo Dinâmico, onde uma Carga Energética, um Fator de Motricidade, faz direcionar o organismo humano para um alvo.

Catexe = É acúmulo de Energia em alguma parte do Aparelho Psíquico.
Nossos sentidos são estimulados por Objetos externos, que são experienciados intensamente, quando nos interessamos muito por este Objeto.
Representação Objetal = É o conjunto de idéias, dentro da psique; percepções que provêm de um Objeto estimulante, pertencente ao mundo exterior.
Catexe do Objeto = É a energização, a partir de diversas fontes instintivas, da representação do Objeto, dentro do Aparelho Psíquico.
Zona Erógena = É a parte do corpo em que se manifesta uma tensão, em conseqüência, da necessidade de satisfazer um Impulso (explo: boca, anus, pênis, vagina) e na qual, se dará a satisfação.
Zona Erógena Primária = É a zona que é Fonte dos Impulsos mais Intensos e que tem um significado especial, em dado momento, para a formação do psiquismo; presumindo a capacidade de, até certo ponto, apoderar-se e de utilizar a excitação proveniente de outras fontes, para aumentar a sua própria ânsia de excitação.
Organização da Libido = É a subordinação das demais fontes instintivas à Zona Primária.

FASE ORAL:
Na Fase Oral, a Zona Erógena é a Boca. Toda a atenção da criança fica absorvida, pelo prazer que a boca pode lhe propiciar. Este Impulso é, predominantemente, manifestação do Instinto Sexual. O qual se separa muito cedo na vida da criança, do Instinto de Fome.  Quando uma Criança suga a chupeta, está satisfazendo o Instinto Sexual e não o Instinto de Fome. Porém, às vezes, a criança satisfaz simultaneamente os dois Instintos. Se ocorrer a repressão, isto pode ter conseqüências desastrosas. Reprimido o Prazer Oral, pode reprimir também, a função de se alimentar, o que poderá resultar futuramente, em Anorexia Nervosa ou Vômitos Histéricos (Bulemia).
a) A Primeira Fase Oral ou de Sucção: desde o ventre materno até os seis meses de idade. O prazer advém do ato de sugar.
b) A Segunda Fase Oral, Sádica ou Canibalística: dos 6meses até o final do 2º ano de vida. O prazer advém do ato de mastigar/devorar.                

FASE ANAL:
Na Fase Anal, a Libido se desloca da boca para o Ânus, que passa a ser a Zona Erógena Primária. Vai do início do 3º ano de vida até o fim do 4º ano de vida.  Nesta fase, segundo Freud, se desenvolveriam também, as Faculdades Mentais da Criança.

a) A Primeira Fase Anal ou de Expulsão: O prazer advém da Expulsão dos Excrementos. Para se satisfazer, a criança retém seus excrementos, até que o seu acúmulo, no segmento terminal do intestino, lhe cause uma contração violenta dos músculos de excreção. A Fixação Anal fará o adulto, também experimentar este tipo de prazer; que poderá dar origem, a uma dinâmica, que Expressa a Rejeição e a Expulsão Hostil, do Objeto.
b) A Segunda Fase Anal ou de Retenção: O prazer advém do Acumulo de Fezes. O Adulto, com Fixação nesta Fase, transfere o prazer para o acúmulo de dinheiro, a avareza, um colecionador. (Homossexualidade; e na velhice, prazeres anais, pela perda da potência sexual).

FASE GENITAL:
Inicia-se no fim do 4º ano de vida e vai até o fim da puberdade. (Zonas Erógenas Primárias, o Clitóris para a mulher e o Falo para o homem). Traços desta fase devem ser superados pela criança, para poder atingir a maturidade. O prazer se dá, para o menino, através da secreção, que é obtida pela fricção. Nesta Fase, segundo Freud, o Pênis representa o maior Valor Psicológico e Objetal. Daí advém na Menina, os Sentimentos de Castração. Já, o Menino, apresenta o Temor da Castração, em função do medo de perder algo que tanto valoriza.
Nesta fase, a Libido em geral, se direciona a um Objeto do Mundo Exterior, que é um dos pais, mais frequentemente, o do sexo oposto. A Agressividade dirige-se ao do mesmo sexo. Esta é a situação, do Complexo de Édipo.

Para Freud, a Fase Genital, compreende dois períodos:
a) da Latência.
b) Fálico.

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE AS TRÊS PRIMEIRAS FASES:
Estas fases estão tão delimitadas mais para fins didáticos.  Na realidade, o predomínio de uma zona erógena sobre as demais, não é absoluto, pois persiste a influência de zonas atinentes a fases anteriores e a antecipação do prazer, que poderá advir, das posteriores. A Intensidade do Impulso, em qualquer uma dessas fases, pode ser avaliada pelo empenho da criança, em superar os obstáculos, que se opõem à satisfação.

A Intensidade dos Impulsos depende de dois tipos de fatores:
a) os Orgânicos Herdados.
b) o Reforço Ambiental

Tudo o que ocorre nestas fases, é determinado em parte por Fatores Externos e por Internos; que podem ter tanto um Efeito Libertador como Cerceador. Se for Excessiva a Intensidade do Impulso, em dada fase, e o Indivíduo tiver dificuldade de controlá-lo, este Impulso acabará por transformar-se, em um Sintoma Neurótico; ao mesmo tempo em que, o Indivíduo fixar-se em uma determinada fase.

FASE DE LATÊNCIA:
Nesta Fase, se empobrece a vida imaginativa das crianças. Grande parte de suas forças anímicas, está centrada na luta contra a masturbação, já que, as fantasias destrutivas ligadas a esta, dão origem à ansiedade e ao sentimento de culpa.                                    
Junto a tal luta, há o intento, quase plenamente conseguido, de reprimir a curiosidade sexual. Tal repressão é, muitas vezes, causa das dificuldades de aprendizagem e também, da reserva e distanciamento, características das crianças, neste período.
Esta Fase se Inicia por volta dos seis anos e vai até aos 12 ou 14 anos, quando tem início a puberdade.

PUBERDADE:
(FASE GENITAL PROPRIAMENTE DITA)
Nesta Fase, a Vida Imaginativa novamente se torna mais rica. Há uma volta dos Impulsos das Fases Anteriores e dos Temores de Castração.
Nas Meninas, quando o sangue que saí da vagina, na fase da menstruação, confirma seus temores arcaicos, de que os conteúdos valiosos do interior do seu corpo, quer dizer, os filhos que poderia vir a ter um dia, estejam definitivamente danificados. Tais sentimentos podem gerar-lhe inibição sexual e aumento de suas defesas viris. Pode produzir-se uma cisão em seu desenvolvimento, evoluindo bem em sua parte intelectual e se tornando demorada e infantil, em sua parte emocional e sexual. Porém, as que têm experiências passadas boas; sentem exatamente ao contrário, com a menstruação.

Classicamente se define a Maturidade, em função do Predomínio Genital conseguido sobre os Impulsos pré-genitais, capacitando o adulto, de conseguir uma Satisfação Genital Plena.

Celia Gevartoski